Voltei de Brasília (férias ótimas, obrigado a todos que compareceram, algumas fotos por aqui em breve, talvez) e com novidades:
o primeiro é que agora tenho twitter: www.twitter.com/tonhoberlinense –> l[a tentarei compensar pela preguiça de postar por aqui – aqui permanece para fotos e quando tiver vontade de posts maiores, como aquele meu sobre a sala de música de câmara da sinfônica de Berlim. Tais posts serão linkados no twitter, onde tamb[em linkarei posts do hegelasaboy
o segundo é que estou encantado com A Imitação do Amanhecer do Bruno Tolentino, que estou lendo desde meus últimos dias de férias e que foi meu fiel companheiropelos aviões e aeroportos. Estou tão encantado que resolvi transcrever dois sonetos dele e um trecho de outro!
(não me perguntem porque estes – por mim ia tudo, porque tudo forma uma história tão bem contada, tantos símbolos si elaborados.)
“Provavelmente porque o ser se intranqüiliza/ de já não ser o que ia sendo; intensamente,/ porque as fogueiras de um martírio impenitente*/ são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza;/ e finalmente porque tudo o que agoniza/ quer promulgar, solenizar o impermanente,/ o coração, naquele fundo ambivalente/ da coisa humana, momentâneo como a brisa,/ mas persuadido de que as músicas da mente/ hão de reter algo mais que uma soma,/ o coração vive das sombras de um aroma./ Só muito raramente esse iludido sente/ a força de acordar antes que a luz cadente/ o deixe louco como à mosca na redoma.” (Soneto que abre o livro)
impenitente: que persiste nos erros, obstinado
“Cidade-umbral da ambigüidade e do dilema,/ pura promessa prolongada de intermédio/ entre o sonho e seu mal, és febre sem remédio,/ e é sábido que a mente cinge qualquer diadema/ irrefletidamente…A luz que tudo queima/ e tudo apaga, faz de cinzas nosso tédio,/ mas resplandeces nesse vácuo como a teima/ de uma fogueira fabulosa, como o assédio/ do corpo à alma empurpurada, que cedia…/ Não por haver idolatrado um coração/ que me apertava contra um peito noite e dia,/ mas por haver te confiado uma paixão/ em tudo igual à luz mortal, Alexandria,/ foi tudo um mito, edse infinito de emoção”
“cinge qualquer diadema” : veste qualquer coroa
“a tramóias iguais…Somos cegos cruéis/ os que amamos demais, sem que ninguém entenda/ que a cada novo encontro nada nos importe,/nem os campos elísios nem os campos da morte,/nada, a náo ser os olhos em que pomos a venda/ da cegueira ideal. Tróia ardeu, mas o forte/ eras tu*, era eu, tudo o mais era lenda”
*Páris, no caso.













